Página Correio Esportes

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Comunidade fraiburguense se manifesta pela paz e por justiça





O pátio do fórum da comarca de Fraiburgo foi palco nesta terça-feira (06/12), de uma manifestação ordeira e pacifica mais de 50 pessoas, entre as quais: familiares do Pablo Enrique Nascimento, integrantes da Associação Paulo Freire de Educação e Cultura Popular de Fraiburgo – APAFEC, da Associação Vital Fraiburgo de Karatê-dô, Pais , Professores e Estudantes da Escola Eurico Pinz de Ensino Médio e moradores em geral do bairro São Miguel, entregaram ao promotor de justiça, Sr. Atila Guastalla Lopes, um documento composto por cinco pontos, subscrito por 691 pessoas, sendo que a principal solicitação do documento, é que sejam presos preventivamente os assassinos do jovem Pablo Enrique Nascimento.

As assinaturas foram coletadas da noite da ultima quinta-feira (02/12), até as 12h00min de hoje (06/12), ou seja, em 04 dias foram coletas quase 700 assinaturas, isso demonstra que os moradores do bairro São Miguel, repudiam com veemência todo e qual tipo de violência e não aceitam a forma brutal como o jovem Pablo foi assassinado, além disso, estão se sentido inseguros em função dos assassinos estarem soltos. O total de assinaturas coletas nesse curto espaço de tempo, representa quase 10% da população moradora do bairro São Miguel se manifestando.

Ao final da manifestação foi realizado um momento de oração ecumênica, em celebração os sétimo dia do falecimento do jovem Pablo, com a presença do pastor Jonatam da Igreja Batista “Confiamos no judiciário, por isso, resolvemos fazer essa manifestação pacifica e ordeira, para exigirmos justiça, acreditamos que nas próximas horas, a justiça vai se manifestar pela prisão preventiva dos acusados”. Comentou o educador João Ademir Cancilier, um dos presentes no ato.

Abaixo cópia do oficio entregue ao promotor Atila.


Fraiburgo, 06 de dezembro de 2011.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR
ATILA GUASTALLA LOPES
PROMOTOR DE JUSTIÇA DA COMARCA DE FRAIBURGO
Nesta;

Maria do Nascimento e João do Nascimento, pais de Pablo Enrique Nascimento, a Associação Paulo Freire de Educação e Cultura Popular de Fraiburgo – APAFEC, A Associação Vital Fraiburgo de Karatê-dô, a Associação de Pais e Professores da Escola Eurico Pinz de Ensino Médio, através de seus representantes legais e associados, estudantes do educandário supracitado e moradores em geral do bairro São Miguel abaixo firmados, vimos respeitosamente perante Vossa Excelência, expor e ao final requerer:

1. Vimos por meio desse documento manifestar nosso mais profundo repúdio ao ato violento que ceifou a vida do exemplar karateca Pablo Enrique do Nascimento. Seja pela morte brutal, como pela artimanha dos suspeitos, que atropelaram a vítima com veículo e depois, assassinaram barbaramente, em plena via pública.

2. O sentimento em toda comunidade é de insegurança porque o crime foi cometido em plena via pública, na presença de inúmeras pessoas e principalmente, porque cometido por mais de 6 pessoas contra apenas 1.

3. Teme-se que os suspeitos soltos provoquem ainda mais o sentimento de injustiça e impunidade nos moradores do bairro, gerando mais revolta porque o jovem assassinado era muito bem visto, tinha muitos amigos.

4. Há um sentimento de revolta latente nas pessoas, porque os suspeitos estando em liberdade e sendo libertados poderão sofrer retaliações de outras pessoas, através de inúmeras ameaças anônimas que tem chegado ao nosso conhecimento.

5. Neste sentido, exercendo a plena democracia e confiando plenamente no Poder Judiciário e, estando convictos que será dada a devida solução ao caso, a fim de garantir a ordem pública e a incolumidade das pessoas.





Fotos cedidas gentilmente por Cesar Malinoski - http://wcesarmalinoski.blogspot.com

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Perdas irreparáveis ao esporte Fraiburguense


Pablo Henrique um grande exemplo como atleta (campeão brasileiro), filho e irmão, foi morto de maneira cruel e impiedosa no dia 29/11. A família do Karatê-dô, enlutada e passando por uma tristeza profunda, por perder um dos companheiros, se apega a dois princípios que o esporte nos ensina, a humildade e a perseverança para levantar a cabeça nos momentos difíceis. A comunidade fraiburgunse, os membros da Associação Vital Fraiburgo de Karatê-dô, os integrantes da Associação Paulo Freire de Educação e Cultura Popular de Fraiburgo – APAFEC juntam-se a família de sangue do Pablo, e exigem que as forças de segurança publica, a promotoria e o judiciário tomem todas as medidas cabíveis para que os setes criminosos, que tiraram a vida do jovem Pablo, sejam exemplarmente punidos, conforme a legislação vigente. A outra perda é a de Luan Antonio dos Santos, um capoeirista de primeira linha. Conhecido por sua irreverência, depois de lutar pela vida nos últimos 10 dias na UTI do Hospital Divino Salvador em Videira, faleceu também nesse fatídico dia para o esporte fraiburguense. Fica as condolências, o abraço e todo respeito à família do Pablo e do Luan. Quero fazer uma pequena sugestão aos karatecas da Associação Vital Fraiburgo de Karatê-dô, que são leitores assíduos dessa coluna, que o dojo do bairro São Miguel, passe a ser chamado de Dojo Pablo Henrique do Nascimento, em uma homenagem simbólica ao Karateca falecido e aos seus familiares. Em momentos como estes, lembro-me do poeta Renato Russo “Os bons morrem jovens”.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Serie Reflexões!


Li no blog do amigo Cesar Malinoski e resolvi divulgar aqui, dando continuidade a serie reflexões que inaugurei na semana passada neste blog:

Reflexão III – Natal não é cultura de caboclo A rua estava colorida, bem limpinha, bem arrumada, super enfeitada e cheios de simbologias que vieram do outro lado do atlântico, que de imediato nada tem haver com a nossa cultura Cabocla, nativa. Na entrada da avenida colunas Jônicas (leste da Grécia oriental), réplicas de soldadinhos de chumbo (ingleses) duendes (Irlandeses) a figura do São Nicolau ou papai Noel (Extremo Norte). Vários outros temperos importados foram adicionados, menos elementos da cultura brasileira. Parece-me um belo esforço de tentar acender a chama do turismo e a tentativa da negação de uma cultura menos sofisticada. Ouvi reclamações de professores que diziam ter sido usado, nas horas que deveriam estar fazendo atividade ou preparação de aulas como mão de obra para execução de enfeites durante meses. No final quando os fogos de artifícios foram acesos, outra exclamação me chamou a atenção: um trabalhador disse “Troco toda essa beleza pela oportunidade de ter um emprego” enche meus olhos, mas não a minha barriga.

Serie Reflexões!


Li no blog do amigo Cesar Malinoski e resolvi divulgar aqui, dando continuidade a serie reflexões que inaugurei na semana passada neste blog:

Reflexão II – Quando o silêncio falou mais alto.
Na política fraiburguense somos quase “Romano”, lembrem daquela expressão “panis et circenses”, que significa "pão e jogos circenses", mais popularmente citada como pão e circo. Esta foi uma política criada pelos antigos romanos, que previa o provimento de comida e diversão ao povo, com o objetivo de diminuir a insatisfação popular contra os governantes. Espetáculos sangrentos, como os combates entre gladiadores, eram promovidos nos estádios para divertir a população; nesses estádios, pão era distribuído gratuitamente. O custo desta política foi enorme, causando elevação de impostos e sufocando a economia do Império. Fiz esta introdução para chamar a atenção para a política local, que aplica na atualidade a mesma técnica romana, quando dá ao povo descontente um “grande espetáculo de Natal na avenida mais luminosa da cidade”. Digo descontente, ficou claro quando o nosso “Imperador e o seu cônsul” saldaram os súditos com boa noite e tiveram uma reposta bem silenciosa. Foi à noite em que o silêncio falou mais alto.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A Copa (não) é nossa


Para bem funcionar, um país precisa de regras. Se carece de leis e de quem zele por elas, vale a anarquia. O Brasil possui mais leis que população. Em princípio, nenhuma delas pode contrariar a lei maior – a Constituição. Só em princípio. Na prática, e na Copa, a teoria é outra.

Diante do megaevento da bola, tudo se enrola. A legislação corre o risco de ser escanteada e, se acontecer, empresas associadas à Fifa ficarão isentas de pagar impostos.

A lei da responsabilidade fiscal, que limita o endividamento, será flexibilizada para facilitar as obras destinadas à Copa e às Olimpíadas. Como enfatiza o professor Carlos Vainer, especialista em planejamento urbano, um município poderá se endividar para construir um estádio. Não para efetuar obras de saneamento...

A Fifa é um cassino. Num cassino, muitos jogam, poucos ganham. Quem jamais perde é o dono do cassino. Assim funciona a Fifa, que se interessa mais por lucro que por esporte. Por isso desembarcou no Brasil com a sua tropa de choque para obrigar o governo a esquecer leis e costumes.

A Fifa quer proibir, durante a Copa, a comercialização de qualquer produto num raio de 2 km em torno dos estádios. Excetos mercadorias vendidas pelas empresas associadas a ela. Fica entendido: comércio local, portas fechadas. Camelôs e ambulantes, polícia neles!

Abram alas á Fifa! Cerca de 170 mil pessoas serão removidas de suas moradias para que se construam os estádios. E quem garante que serão devidamente indenizadas?

A Fifa quer o povão longe da Copa. Ele que se contente em acompanhá-la pela TV. Entrar nos estádios será privilégio da elite, dos estrangeiros e dos que tiverem cacife para comprar ingressos em mãos de cambistas. Aliás, boa parte dos ingressos será vendida antecipadamente na Europa.

A Fifa quer impedir o direito à meia-entrada. Estudantes e idosos, fora! E nada de entrar nos estádios com as empadas da vovó ou a merenda dietética recomendada por seu médico. Até água será proibido.

Todos serão revistados na entrada. Só uma empresa de fast food poderá vender seus produtos nos estádios. E a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios, que vigora hoje no Brasil, será quebrada em prol da marca de uma cerveja made in usa.
Comenta o prestigioso jornal Le Monde Diplomatique: "A recepção de um megaevento esportivo como esse autoriza também megaviolação de direitos, megaendividamento público e megairregularidades.”

A Fifa quer, simplesmente, suspender, durante a Copa, a vigência do Estatuto do Torcedor, do Estatuto do Idoso e do Código de Defesa do Consumidor. Todas essas propostas ilegais estão contidas no Projeto de lei 2.330/2011, que se encontra no Congresso. Caso não seja aprovado, o Planalto poderá efetivá-las via medidas provisórias.

Se você fizer uma camiseta com os dizeres "Copa 2014”, cuidado. A Fifa já solicitou ao Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) o registro de mais de mil itens, entre os quais o numeral "2014”.

(Não) durmam com um barulho deste: a Fifa quer instituir tribunais de exceção durante a Copa. Sanções relacionadas à venda de produtos, uso de ingressos e publicidade. No projeto de lei acima citado, o artigo 37 permite criar juizados especiais, varas, turmas e câmaras especializadas para causas vinculadas aos eventos. Uma Justiça paralela!

Na África do Sul, foram criados 56 Tribunais Especiais da Copa. O furto de uma máquina fotográfica mereceu 15 anos de prisão! E mais: se houver danos ou prejuízo à Fifa, a culpa e o ônus são da União. Ou seja, o Estado brasileiro passa a ser o fiador da FIFA em seus negócios particulares.

É hora de as torcidas organizadas e os movimentos sociais porem a bola no chão e chutar em gol. Pressionar o Congresso e impedir a aprovação da lei que deixa a legislação brasileira no banco de reservas. Caso contrário, o torcedor brasileiro vai ter que se resignar a torcer pela TV.

Tomado da Adital – www.adital.org.br

Por Frei Betto - Escritor e assessor de movimentos sociais autor de "A arte de semear estrelas” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org- twitter:@freibetto.


Imagem:
http://3.bp.blogspot.com